A maturidade necessária para adotar um filho

Adotar um filho é algo profundo e interfere em todas as áreas da vida das pessoas envolvidas. Aqui não iremos tratar dos tramites judiciais sobre a adoção, mas sobre uma maturidade emocional. Essa maturidade é necessária para que todas as partes saiam satisfeitas e com consciência do que estão se propondo a viver.

Algumas pessoas que desejam adotar ainda não deram o primeiro passo, porque não sabem como irão lidar com a adoção emocionalmente. Têm medo de não amar a criança, medo da criança não amá-la ou não se sentir amada. A insegurança e ansiedade ao pensar em lidar com os possíveis traumas que a criança/adolescente pode trazer consigo também aparece.

Para amadurecer essa ideia, sentir-se seguro e preparado, é importante refletir em alguns pontos essenciais na adoção. Temer mudanças como essa é natural e esperado. Pesquise o máximo possível e se conheça.

Perguntas que deve se fazer

Saiba quais são as reais motivações para a adoção. Se pergunte “por que quero adotar?” e seja sincero. É muito importante ter clareza de que esse é um desejo incondicional de ser mãe/pai. Uma criança ou adolescente não serve como companhia para a velhice ou instrumento para consertar o casamento. A única função de um filho é ser amado e aprender a amar.

Se você tiver um(a) companheiro(a) é importante ter certeza de que também é a vontade dele(a) e quais as motivações que essa pessoa tem para adotar. Se apenas um sonha com isso, a criança pode sofrer rejeição e ser intolerada no lar.

Você está pronto(a) para amá-lo e suportá-lo em qualquer circunstância? Algumas pessoas devolvem a criança ao orfanato por não se adaptar a ela ou se deparar com um comportamento que não consegue suportar. Isso provoca sérios traumas na criança/adolescente, é uma violência.

Nem sempre as crianças recebem os pais com abraços, lágrimas e beijos. Algumas são mais retraídas e podem se isolar, outras podem se tornar agressivas em um primeiro momento. Você está disposto(a) a lidar com um possível rejeição? Se sente emocionalmente maduro(a) para isso?

A espera

Vamos imaginar que você já organizou toda a documentação, já foi aprovado no teste de aptidão e só está esperando aquela ligação avisando que já tem uma criança. Mas essa espera não em prazo, pode demorar semanas, meses ou anos. É ela que causa a maior ansiedade àqueles que estão adotando.

Ainda que aparente ser uma espera desnecessária, ela é muito importante. Adotar é ter um filho, não é diferente da gestação e na gestação também se espera. Tanto uma mãe quanto a outra, sentem-se ansiosas, sentem medo e também fazer muitos planos imaginando o filho.

É como uma gestação psicológica. A espera é necessária para amadurecer a ideia de que será mãe/pai. Não é para ter certeza que irão fazer tudo certo, mas que estão prontos para encarar todas as mudanças com coragem e amor. É o momento que precisa para entender que nada será como era antes.

O que precisa entender?

É comum tentar adotar uma criança que tenha certas características que irão se adaptar melhor a família. Mas sempre é importante lembrar que o filho idealizado não existe, seja adotado ou biológico. Todas as pessoas carregam características que irão nos desagradar, características de personalidade mesmo, não são defeitos.

Uma criança adotada carrega uma bagagem emocional, mas você também carrega e a criança poderá aceitá-lo ou não.  É necessário flexibilizar as exigências, pensando em uma criança real, não ideal. São duas pessoas diferentes se unindo, em um relacionamento carregado de afetos que deve suprir todos os conflitos futuros.

Por isso, a formação de um vínculo é necessária. Quando um filho biológico nasce, a mãe o ama muito, mas ainda não têm um vínculo com ele. Já ouvi desabafos de mães dizendo o que o filho recém nascido a odeia. O vínculo não é biológico, ele é afetivo. Precisa ser construído em todos os relacionamentos e para isso é preciso esforço  e persistência para lidar com os desafios que virão junto com a criança/adolescente.

A família é uma construção, o amor é uma escolha e quem adota está escolhendo amar. Já ouviste a frase “filho é para a vida inteira”, certo? É isso mesmo, essa(s) criança/adolescente(s) será seu filho, abandono/devolução jamais deve ser uma opção.

Onde buscar apoio e informação?

O grupo Pontes de amor disponibiliza palestras, estudos e grupos sobre a adoção, além de oferecer outros projetos sociais que viabilizam o conhecimento sobre o tema e experiências que podem auxiliar na decisão de adotar filhos. Todas as informações necessárias para facilitar esse processo estão publicadas no site.

O psicólogo irá acompanhar os futuros pais, realizar uma avaliação para saber se eles estão preparados para adotar um filho. Se o psicólogo entender que essas pessoas serão benéficas para a criança, serão habilitados e poderão continuar o processo. Ademais, acompanhará a chegada do(s) filho(s) e a família por um período posterior a adoção, dando todo suporte necessário.

Author:
Teóloga e estudante de psicologia. Com experiência em dependência química, transtornos alimentares e relacionamentos conjugais e familiares.

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