Alguém que traga felicidade

A busca por felicidade é o sentido da vida de muitas pessoas. Sempre esperam o dia em que serão realmente felizes. Os comerciais e o marketing usam e abusam desse desejo, prometendo felicidade ao abrir uma lata de refrigerante.

Até o refrigerante tudo bem. O problema acontece quando se passa a buscar a felicidade em outra pessoa. A sensação da incapacidade de ser feliz as próprias custas pode se tornar um fardo pesado à outro alguém, quando essa responsabilidade é terceirizada.

Preenchendo o vazio

A pessoa infeliz sente um insatisfação generalizada com a vida, como se ela não tivesse graça alguma e, pode até percebe-la, cruel. Essa insatisfação se projeta nas pessoas, no trabalho, nas atividades de lazer. Não está diretamente relacionada a tristeza, é mais como um vazio, como uma falta de emoções e sensações.

Ao perceber alguém que realmente parece ser feliz, se aproxima na tentativa inconsciente de reter um pouco dessa felicidade. O olhar animado sobre a vida e a leveza são atrativos que podem o completar. Por isso, presta atenção em tudo que a outra pessoa faz e tenta mantê-la sempre por perto.

Ao tentar conquistar, não busca conquistar a outra pessoa, mas seu entusiasmo. Porém, a felicidade do outro não é suficiente para preencher seu vazio, por isso pode culpar o outro por não suprir suas expectativas, com um comportamento vitimista. Insaciável, vai insistindo aos poucos, pedindo mais, insinuando mais as suas insatisfações.

Os problemas no relacionamento se tornam mais frequentes, por isso tenta mudar o comportamento do parceiro, acreditando que esse é o problema. Nenhuma mudança o torna feliz, tudo continua com uma grande frustração.

Multiplicando a infelicidade

A outra pessoa que entra nessa relação pode se sentir especial no início, pois se sente valorizada e pode se perceber como uma referência ao outro. Entretanto, ao mesmo tempo que a convivência vai aumentando, as exigências também vão.

O que antes fazia por prazer e carinho, se torna uma obrigação e já não tem o mesmo retorno que tinha antes. pois o outro passa a pedir mais. Nem sempre esse pedido vem de forma clara, muitas vezes é uma reclamação aberta sobre a vida que tem. Com isso, o parceiro se sente na obrigação de fazer mais e mais.

Um dia pode perceber que faz mais pelo outro do que por si mesmo, e que abandonou muito do que amava para que o outro ficasse feliz. Pois as exigências podem se tornar pessoais, indo além de atividades simples, o cotidiano é completamente diferente.

Com o tempo, a outra pessoa se percebe estressada, cansada e insatisfeita com a vida que tem, semelhantemente ao parceiro. A falta de paz pode ser muito presente, já que não vive mais as suas próprias convicções.

A obrigação de fazer o outro feliz se torna cada vez mais pesada. Geralmente, parece que suas tentativas fazem o efeito contrário. Uma frustração enorme passa a fazer parte da sua vida, junto com a ansiedade de resolver um problema impossível.

Encontrando a felicidade

Momentos de prazer não é felicidade. Satisfação momentânea não é felicidade. Porque, essas coisas vêm de fora, não criam raízes. A felicidade é uma construção pessoal e intransferível, não é estar, é ser. Por isso, tem a ver como uma construção da própria identidade, com uma convicção de quem se é e do que se merece.

Author:
Teóloga e estudante de psicologia. Com experiência em dependência química, transtornos alimentares e relacionamentos conjugais e familiares.

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