Super proteção: O que há por trás desse comportamento

Garantir a proteção dos filhos é um papel fundamental dos pais, mas a proteção exagerada é um comportamento disfuncional e se torna um problema para a família inteira. Mas, não é desse comportamento que vamos falar, é da causa dele. O que leva mães e pais a agirem dessa forma?

Os pais que superprotegem, muitas vezes, fazem isso sem perceber que estão fazendo, menos ainda o motivo pelo qual o fazem.  Os pais que praticam a super proteção não se dão conta disso e acreditam que são eles que estão certos e que os outros pais são descuidados. Por isso, o problema é informado pelos filhos que se sentem sufocados ou pelos familiares que percebem uma relação “estranha”.

É importante não confundir super proteção com controle. A super proteção está relacionada ao medo de ver os filhos se frustrarem, se ferirem e de afastá-los. Os pais controladores não se importam tanto com a frustração dos filhos, desde que isso não os impeça de controlar.

Crenças e medos

Para compreender a necessidade e os desejos dos pais super protetores basta olhar para o que eles estão semeando na vida de seus filhos.

Eles criam filhos que não conseguem viver sem eles, pois dependem dos pais para tudo! Podem ver o mundo como algo perigoso e hostil, a cada frustração se escondem debaixo da saia da mãe. Para as atividades mais básicas, os pais sempre estão presentes.

Por tanto, criam seus filhos para si mesmos, não para o mundo, como diz o ditado. Ter alguém para cuidar dela quando ficar velha é a maior missão da pessoa que super protege os filhos. Elas não conseguem imaginar um futuro onde os filhos não estejam ao seu lado. Filhos que não sabem se virar, irão depender deles para sempre, por isso nunca irão abandoná-los.

Pode parecer uma convivência maquiavélica, mas tudo isso acontece devido ao medo extremo de ficaram sozinhos, de serem abandonados. Essa é a forma desesperada de garantir que terão alguém ao seu lado.

A origem da super proteção

O medo de ficar só não acontece apenas porque sim. Ele vêm da infância ou de momentos traumáticos. Por isso, embora cause sofrimento nos filhos, eles não fazem de forma proposital, acreditam que isso é o melhor para todos. Mudar essa forma de pensar é um processo que precisa de ajuda profissional, especificamente de um psicólogo.

Segunda a Terapia Focada em Esquemas, a “arquitetura psíquica” que uma pessoa apresenta é consequência de momentos da sua infância. Aquilo que vivenciou e sentiu irá interferir nos seus relacionamentos e nos medos que sente na vida adulta.

Pessoas que viveram abandonos na infância podem se tornar protetoras demais, pois pensam que essa é uma forma de impedir que o abandono aconteça novamente. Pessoas que foram enganas e que não tiveram seus sentimentos levados em conta, podem acreditar que apenas os filhos irão conseguir suprir essa necessidade devido ao bem-estar que sentem quando estão com eles.

Algumas pessoas que vivem relacionamentos conflituosos podem focar em excesso nos filhos, como forma de fuga dos seus problemas. Os filhos se tornam uma bengala emocional, por isso é importante que sempre estejam por perto.

Reconhecendo a super proteção

As origens da super proteção que descrevi acima, são as mais presentes nas Orientações Teológicas, isso não significa que sejam as únicas causas. Geralmente, esse comportamento é percebido pelos familiares ou trazido como uma forma de reclamação dos filhos.

Até que os filhos não tentem sair debaixo das asas dos pais, eles não conseguem perceber como essa relação pode ser prejudicial. Em muitos casos, acontece quando os filhos arrumam novos parceiros amorosos, que irão ocupar um lugar de destaque naquele momento. Com isso, a pessoa super protetora se sente deixada de lado.

Quando os filhos tentam assumir suas próprias vidas ou se afastam por qualquer motivo, esses pais super protetores se sentem abandonados e, até mesmo, desvalorizados. Podem tomar medidas bem rígidas e inapropriadas, brigando com os filhos e até fazendo eles escolherem entre os pais e o que desejam.

Na infância a super proteção irá aparecer como forma de mimo e, ao longo da vida dos filhos, vai evoluindo podendo parecer controle ou ciúmes. O melhor a fazer é buscar por profissionais que estejam aptos a trabalhar com este tipo de situação.

Author:
Teóloga e estudante de psicologia. Com experiência em dependência química, transtornos alimentares e relacionamentos conjugais e familiares.

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