Educação emocional: como ensinar aos filhos

Educar sempre foi um desafio, pois não se trata de ensinar regras somente, mas de ensinar a viver. E viver é um desafio, exige estratégia, maturidade e esperança, como ensinar isso aos filhos? A educação emocional é pouco discutida, mas tão essencial quanto a educação social ou financeira.

Além de ensiná-los a lidar com sofrimento, com o fracasso e com as frustrações, é preciso ensiná-los a lidar com emoções como o orgulho e a vaidade que também podem ser prejudiciais no amadurecimento se não forem administradas com sabedoria. Por isso, é necessário um equilíbrio para não ser permissivo demais e nem um ditador dentro do próprio lar.

Segundo a Terapia do Esquema, desenvolvida pelo psicólogo Jeffrey Young, as crianças apresentam necessidades básicas que irão afetá-las emocionalmente por toda a vida e os pais ou cuidadores são os principais responsáveis por supri-las. O psicólogo elencou em uma lista quais são essas necessidades que fazem parte da educação emocional.

Necessidades emocionais básicas dos filhos

1. Ambiente emocionalmente estável e previsível

Uma criança precisa viver em um ambiente emocionalmente estável e previsível. Desta forma, conseguirá manter relações estáveis com outras pessoas no futuro, como em relacionamentos românticos e amizades duradouras. Uma família emocionalmente ambígua e instável, passa à criança uma sensação de abandono e insegurança.

2. Estar rodeada de pessoas honestas em quem possa confiar

Conviver com pessoas que lhe falam a verdade, em quem possa confiar é essencial para o desenvolvimento emocional infantil. Caso contrário, terá dificuldades em confiar em outras pessoas e sempre esperará ser traída ou machucada. Isso dificultará os seus relacionamentos, podendo se tornar um companheiro muito ciumento e desconfiado.

3. Sentir-se amada e desejada

Expressão de amorosidade, carinho e empatia devem ser presentes na vida de uma criança. Alguém que recebe essas demonstrações de afeto durante a infância está aprendendo a construir relações de intimidade onde pode ser espontâneo. O oposto disso, a apatia, poderá formar adultos que têm dificuldades e até vergonha em expressar suas emoções.

4. Ser encorajada e ter suas limitações aceitas

Encorajamento e aceitação são importantes para a criança se sentir amada incondicionalmente e aceita. Isso colabora para o seu desenvolvimento social, por se sente adequada e segura para se relacionar com outras pessoas. Crianças que não se sentem assim, tendem a ver-se como fracassadas e têm vergonha de si mesmas. Quando adultas, essas crenças tandem a se fortalecer, e começam a boicotar boas oportunidades – como de carreira, por exemplo.

5. Alguém que se dedique a ensiná-la

Orientação para vencer desafios e aprender novas habilidades são necessárias para a criança perceber que tem capacidade de obter sucesso no que lhe compete, dando significado ás suas escolhas pessoais e profissionais. Uma criança que não recebe este cuidado se sente fracassada e incompetente, se tornando dependente de outras pessoas para conquistar aquilo que deseja ou precisa.

6. Equilíbrio em relação aos perigos

Já ouviu falar em pai/mãe coruja? São aquelas pessoas que estão sempre atentas aos filhos e fazem o possível para impedi-los de se frustrarem, acreditando que essa é uma forma de dar suporte emocional. Quando isso é em exagero, os perigos parecem muito mais assustadores aos filhos, pois eles vêem o medo dos pais e o sentem também. Equilíbrio em relação aos perigos é essencial para a criança ter um senso realístico de segurança e força pessoal. Caso contrário, se formará um adulto que se sente extremamente vulnerável e que vê o mundo como algo ameaçador.

7. Respeitar os limites do filho, considerando sua maturidade

Um bebê depende totalmente dos pais. Conforme cresce, essa dependência vai diminuindo. Alguns pais não respeitam essa independência, tratando a criança como se ela fosse mais imatura do que é, não respeitando seus limites pessoais. Respeitar os limites dos filhos é necessário para que construam um direcionamento pessoal para o seu futuro, respeitando a sua individualidade e desenvolvendo autonomia.

8. Receber limites firmes de forma empática

Colocar limites firmes de forma empática e afetiva irá colaborar para que a criança aprenda a lidar com frustrações e a respeitar regras. É adequado que os pais ou cuidadores mantenham os limites quando as emoções ficam fora do controle, explicando de forma empática o motivo das regras de acordo com a idade da criança. Com isso, aprenderá a ter autocontrole e autodisciplina, esse desenvolvimento emocional terá forte influência nas suas relações profissionais.

9. Liberdade de expressão

Liberdade para expressar suas necessidades, pensamentos e emoções proporcionará autovalorização à criança, mas tome cuidado para não exagerar e criar filhos mimados. Desta forma, ela crescerá sabendo se expressar de forma assertiva, equilibrando seus interesses individuais com as necessidades das pessoas ao seu redor. O oposto disso pode desenvolver um adulto que abandona suas necessidades e interesses para agradar as demais pessoas, acreditando que apenas gostarão dele se fizer isso.

10. Perdoar erros

Perdoar erros não significa deixar de corrigi-los, mas ensinar aos filhos que muitos erros podem ser corrigidos. Com isso, os filhos não irão sentir uma culpa exagerada quando errarem se tornando flexíveis em relação as suas dificuldades. Não perdoar e culpá-los quando errarem, os fará sentir a necessidade de serem perfeitos e, cada vez que não conseguirem, sofrer com isso.

Não se preocupe!

Ninguém melhor que os pais conhecem seus filhos para definir como a educação será, apenas faça o que estiver ao alcance e tente sempre melhorar. Não existem mães ou pais perfeitos, por isso não cobre uma criação perfeita de si mesmo.

Ainda que hajam alguns padrões, cada criança tem seu próprio desenvolvimento e adquirem maturidade ao seu tempo. Mais do que tudo, é importante conhecer seus filhos e se analisar pra ver onde pode melhorar. Não existe um manual de como se educa, pois a educação é transpassada por muitas influências, como a situação econômica da família, local onde vivem e as personalidades das pessoas envolvidas.

Author:
Teóloga e estudante de psicologia. Com experiência em dependência química, transtornos alimentares e relacionamentos conjugais e familiares.

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