Ciúmes: o que psicologia diz sobre isso?

Um assunto que também é um tanto polêmico! Por alguns naturalizado e por outros condenado. Para algumas pessoas, os ciúmes são provas de amor, um relacionamento sem ciúmes e sem forte intimidade não vale a pena. Para outras pessoas, são pedras no sapato, que as impedem de viver como gostariam, roubando a liberdade e a paz.

Os ciúmes podem ser sinônimo de aprisionamento ou de segurança. Cada casal define o seu “normal”, a forma como se relacionam é composta por diversos fatores que vão construir a intensidade, a frequência e a percepção dos ciumes que podem existir.

Por que alguém sente ciúmes?

O ciúme se caracteriza pelo medo de perder a pessoa amada, seja em um relacionamento amoroso, de amizade ou familiar. A função evolutiva dos ciúmes é preservar as relações, especialmente se tratando de relações amorosas, onde a reprodução da espécie é um componente a ser considerado.

Em circunstâncias onde uma pessoa já experienciou traição ou abandono, sendo ela a pessoa traída ou presenciando traição de terceiros, como dos pais ou amigos próximos, os ciúmes podem surgir como uma defesa. De forma automática, a pessoa entende que se não estiver controlando o outro irá sofrer novamente, pois será traída.

Abandonos anteriores e situações que fizeram a pessoa se sentir humilhada ou menosprezada, podem colaborar para o surgimento de ciúmes. Nestes casos, uma baixa autoestima é desenvolvida. Com baixa autoestima, os pontos fortes são ignorados e a pessoa passa a focar apenas nas suas falhas e limitações, assim fica fácil acreditar que qualquer pessoa pode ser mais interessante ou atraente, ainda que isso não seja verdade.

Algumas pessoas com alta autoestima podem construir relacionamentos que, com o tempo, passam a feri-las e a relação de confiança se torna mais frágil. Com baixa confiança, os ciúmes se tornam frequentes, assim como as discussões.

De onde vem?

O psicólogo John Bowlby, criador da Teoria do Apego, entende que o modo como nos relacionamos hoje foi construído a partir dos relacionamentos que tivemos na infância. A forma que uma criança aprendeu a conviver com relacionamentos deriva das percepções que seus familiares a ensinaram, seja com ensinamentos claros ou observando as pessoas ao seu redor. Por isso, presenciar ou viver relacionamentos abusivos, traições ou abandonos pode causar distorções no seu modo de entender as relações durante a vida adulta.

Algumas crenças intimas também são responsáveis pelos ciúmes. O psicólogo Jeffrey Young, ao encontro de Bowlby, entende que essas crenças são formadas na infância, conforme as necessidades emocionais básicas são atendidas.

Para algumas pessoas a intimidade emocional pode ser desejada e também intimidadora, por não confiar nas intensões do parceiro, ainda que sejam boas. Para outras pessoas, o desejo de intimidade profunda, aliado a insegurança, faz que o próprio valor seja questionando, isso provoca uma dependência extrema do outro.

Cuidado!

Em alguns casos, esse sentimento pode ter um grau desproporcional às circunstâncias reais, estando mais relacionado a necessidade de controle do que ao amor. Este sentimento torna a relação abusiva, causando sensação de aprisionamento invés de segurança.

Um transtorno obsessivo pode ser expresso a partir dos ciúmes, se configurando em um distúrbio mental. Pensamentos negativos e sem causas factuais se tornam recorrentes, causando grande sofrimento na pessoa que sente os ciúmes e também em seu(a) parceiro(a). Uma relação enlaçada por essa situação geralmente se rompe.

O ciumento obsessivo não percebe a intensidade do seu sentimento e das consequências que ele provoca. Por isso, tem dificuldades em compreender os limites pessoais que invade, atrapalhando, ferindo e controlando a outra pessoa e a si.

Quando alguém constantemente busca evidências de que está sendo enganada, ansiando desmascarar algo de forma obsessiva e sem motivo evidente, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) entende que pode ser um Transtorno Delirante Paranóico. Com este transtorno, atitudes cotidianas passam a ser evidências como atrasos para chegar em casa ou mexer no celular quando não tem ninguém por perto. É importante deixar claro que esse e qualquer outro diagnóstico só pode ser atribuído por um profissional qualificado para isso, o qual acompanha o paciente de forma intima e respaldado por técnicas.

Exagerado, pode tornar a relação abusiva ou provocar o fim do relacionamento. Os ciúmes também são os argumentos mais utilizados para cometer crimes contra o parceiro e violência doméstica, basta ligar o noticiário.

Author:
Teóloga e estudante de psicologia. Com experiência em dependência química, transtornos alimentares e relacionamentos conjugais e familiares.

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