Reciclagem emocional: Transformar a dor em algo bom

Uma vez, li em uma revista a frase “do lixo ao luxo” em uma reportagem que contava sobre a reciclagem de coisas que já não tem mais utilidade e só ficam ocupando espaço. A ideia é transformar essas coisas inúteis em algo que seja proveitoso.

Assim como plastico, tecidos e outros materiais podem tomar outras formas, os nossos sentimentos e pensamentos também podem! Precisamos aprender a reciclar nosso lixo emocional, para que ele se torne benéfico a nós e pare de poluir a nossa mente.

A reciclagem emocional é necessária

É muito difícil lidar com algo que nos machuca muito. Fugir dos sentimentos parece ser mais fácil do que encará-los para produzir alguma mudança. Por algum tempo é realmente necessário se distrair da dor para não perder o controle de si, mas isso tem prazo de validade.

Conforme o tempo vai passando, essa dor vai dando as caras com mais frequência e nos mostrando que existe algo a ser resolvido. Quando não conseguimos mais ignorar, quando afeta a nossa vida e nos dói apenas por lembrar, é a mente dizendo que já chegou o tempo de curar.

Porque passar a vida sofrendo não é uma forma saudável de viver. Ficar colocando o dedo na ferida, vendo a sangrar com a esperança de que um dia pare sem que façamos algo a respeito é uma ilusão. Diferente do corpo que se cura sozinho quando é machucado, o sentimento precisa ser elaborado, a situação precisa ser entendida e receber novos sentidos.

Nem todos conseguem superar essa dor sozinhos. Ajuda psicoterapêutica ou teológica podem ser necessárias para aqueles que se sentem esmagados pelo seu sofrimento, especialmente quando a angústia e o remorso tomam conta e já não conseguem enxergar saída.

Nossos medos nos pregam peças, podem fazer situações simples pareceram complicadas e terríveis. Por isso, compreender qual é o tipo de problema que se tem é importante. Quando damos muita atenção a algo que não a merece, podemos negligenciar o que é importante

Dois tipos de problemas

Há muitas situações que causam sofrimentos, mas é possível dividi-las em dois grupos que irão facilitar a nossa organização das prioridades: sobre como vamos lidar com cada situação e o quanto de energia e tempo vamos gastar. Então, veja os dois tipos de problemas e como podemos lidar como eles:

  • Problemas orgânicos: São problemas que, com o tempo, podem ser resolvidos, alguns até resolvem sozinhos. Dividas, doenças que não são crônicas, algumas discussões familiares, falta de experiência ou conhecimento profissional, desemprego, são exemplos de problemas que podem ser resolvidos.
  • problemas definitivos: A saudade causada pela morte de alguém ou doenças crônicas, traumas, a dor do abando ou da traição são realidades que não podem ser mudadas e provocam sofrimento intenso.

Quando o problema é orgânico, é mais provável que algumas estratégias consigam resolvê-lo. Por isso, um pensamento racional e objetivo será adequado, evitando um gasto de energia emocional que não será útil na resolução. Ainda com esses problemas, é possível exercitar a gratidão e satisfação, pois mesmo que eles atrapalhem, não nos tiram o que há de mais valioso – saúde, família, paz, vida…

Quando o problema é definitivo, a única forma de voltar a viver em paz e com satisfação é realizando a reciclagem emocional. Essas situações sempre estão na vida da pessoa, pois não há formas de ressuscitar alguém que morreu, nem de voltar no tempo e impedir um trauma ou uma doença.

Algumas pessoas confundem os problemas orgânicos com os problemas definitivos, sofrendo demasiadamente por algo que não seria necessário. Por isso, definir bem a importância de cada um é essencial. Se for preciso, escreva uma lista de seus problemas e os reorganize por urgência, influencia e dificuldade. Desta forma, poderá enxergar de uma forma mais esclarecida quais são as prioridades.

Quando um problema é resolvido a dor acaba, mas quando ele não é, precisa-se de uma outra elaboração. Invés de lutar contra ele, é necessário aprender a caminhar com ele.

O sofrimento tem um sentido

O neuropsiquiatra Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, entende que o ser humano não pode escolher se vai passar ou não por algumas situações, mas o modo como reage a elas é totalmente da sua responsabilidade. Com isso, valoriza a liberdade de escolha e a capacidade humana de construir novos sentidos para seus sofrimentos.

Com seus valores bem esclarecidos, as pessoas podem atribuir novos significados para seus pesares, isso é reciclagem emocional. Escolhe para si uma missão, um objetivo de vida que irá se sobrepor ao sofrimento – como alguém que perdeu um familiar com câncer  se torna oncologista ou se engaja em causas de saúde. O conhecimento que antes era sinônimo de sofrimento, ganha um novo lugar e se torna útil.

Quando a reciclagem acontece

reciclagem

A reciclagem emocional acontece quando é construído um novo sentido para a dor e readaptamos nosso cotidiano, objetivos de vida e pensamentos. Buscar o lado bom de um todo que parece ruim, parece ser absurdo, mas é necessário para que o sofrimento não paralise a vida.

Quado decidimos não retornar ao sofrimento, nos instigamos a buscar o que existe no futuro. Assim, novas perspectivas surgem em nossos desejos. Oportunidades que antes não eram percebidas se ficam aparentes e oferecem novas formas de continuar. Com a reciclagem emocional, a dor não é ignorada, ela é trabalhada, compreendida e transformada.

Algumas pessoas se cobram muito por situações que não estavam ao seu alcance ou não se perdoam por erros passados que provocam perdas irreparáveis. A culpa é um grande paralisador. Nestes casos, o ideal é olhar pra aprendizagem que essas situações proporcionaram e focar nas ações que podem ser realizadas agora, com o objetivo de construir um futuro mais leve.

Author:
Teóloga e estudante de psicologia. Com experiência em dependência química, transtornos alimentares e relacionamentos conjugais e familiares.

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