Quando a insônia é um problema?

Dificilmente iremos encontrar alguém que nunca teve uma noite com insônia sequer. Ela vem para todos e por diversos motivos. Algumas pessoas têm insônia quando estão com algum problema, outras quando estão ansiosas para fazer algo que querem muito, como uma viagem. Para algumas pessoas, ter insônia já é cotidiano.

A qualidade e a quantidade do sono interfere diretamente na saúde. Dormir é tão importante quanto se alimentar, porque da mesma forma que uma má alimentação gera doenças, a má qualidade do sono pode gerar prejuízos sérios.

Por ser algo comum, a insônia pode não receber a atenção que merece e, por tratar isso como algo normal, algumas pessoas não conseguem perceber quando a insônia começa a prejudicar saúde física e mental. Se esses prejuízos forem percebidos e pessoa buscar por ajuda, a insônia pode ser tratada.

Diversos profissionais de saúde podem avaliar as causas, que variam desde respiratórias até emocionais. Em situações que nenhum problema físico é detectado ou o paciente tenha questões emocionais que a causem, é indicado que o tratamento seja realizado por um psicólogo.

O que é insônia?

A maioria das pessoas entende que insônia é ficar acordado durante um longo período da noite. Não está errado, mas é mais do que isso. Ela pode ser a caracterizada pela dificuldade de inciar o sono, dificuldade de manter o sono ou incapacidade de retornar ao sono após despertar pela madrugada. As duas ultimas dificuldades são as mais comuns.

A insônia está associada a um estado de alerta cognitiva e fisiológica. Preocupar-se em dormir, aumenta a ansiedade, impedindo o sono e isso vira um círculo vicioso. A Academia Brasileira de Neurologia confirma que quanto mais a pessoa deseja dormir, mas acordada fica. A principal insatisfação é em relação a qualidade e a quantidade do sono, principalmente na dificuldade de manter o sono.

Para definir se alguém tem insônia, não se avalia apenas a quantidade de sono, mas também a qualidade dele. Algumas pessoas dormem a noite inteira, mas ao acordar ainda sentem-se cansadas, como se não tivessem dormido. Então, o sono não é reparador.

Luciana Palombini, especialista em medicina do sono, afirma que nem toda pessoa que dorme pouco ou acorda durante o sono tem insônia, pois pode não apresentar desconforto ou prejuízo. Isso acontece porque algumas pessoas precisam dormir menos que outras e, ainda assim, têm um sono reparador. Isso varia conforme o organismo

Por isso, dormir menos não é um problema, se a pessoa se sente bem e disposta durante o dia. Quando dormir pouco causa sofrimento, preocupações e prejuízos pode ser considerado insônia.

 Quando a insônia vira um problema?

Ficar algumas noites acordado ou dormindo mal não significa que um tratamento é necessário. É natural que alguns momentos de estresse e ansiedade afetem o sono, mas é um problema quando isso se torna uma rotina. O DMS-5 (Manual Disgnóstico e estatístico de transtornos mentais) especifica o que é necessário atentar em relação a insônia.

Ela pode ser ocasional, persistente ou recorrente. A insônia ocasional dura menos de 1 mês e está relacionada a situações específicas da vida. Quando é persistente dura 3 meses ou mais, neste caso é necessário dar mais atenção a ela. A insônia recorrente acontece com mais frequência durante o ano, esta exige um tratamento.

Essa condição atrapalha o funcionamento cognitivo, provocando dificuldades na atenção e na memória. Junto com isso, a área social, profissional e física são prejudicadas. O modo como a insônia prejudica cada área é singular, geralmente percebida pela pessoa.

O cansaço e a sonolência são os sintomas mais esperados, entretanto podem não aparecer em todos os casos. As alterações de humor são mais frequentes em quem tem insônia, provocando raiva, tristeza e ansiedade. Em alguns pacientes com insônia, a avaliação psicológica pode apontar o acentuamento de ansiedade ou de depressão, que podem ser provocadas pela má qualidade do sono.

O que provoca a insônia não é o mesmo que a perpetua. Algumas pessoas passam a ter insônia após uma situação traumática ou mudanças que podem parecer comuns para muitos. Mas quando a insônia permanece por meses ou anos, outros fatores passam a influenciá-la.

O que pode provocar insônia?

A insônia pode se manisfestar em qualquer período do sono, variando conforme as circunstâncias. Trocar a hora ou o local onde dorme, bem como fatores estressores e ansiogênicos que surgem durante o dia, podem afetar o modo como ela acontece.

A rotina é uma grande influenciadora do sono, principalmente relacionada a hora de dormir e acordar. Algumas pessoas com insônia vão postergando a hora de dormir, pelo fato de não dormirem logo que se deitam. Esse hábito, favorece a perpetuação da insônia, pois o organismo passa a ter dificuldades para manter uma rotina de sono.

Ansiedade e estresse, bem como insatisfação durante o dia podem dificultar o sono. Ter momentos relaxantes antes de dormir e ficar longe de telas como TV e celular podem ajudar a amenizar o estresse diário e relaxar o corpo para dormir.

Alimentação pesada com gorduras e doces ou a utilização de cafeina poucas horas antes de dormir mantém o corpo alerta e dificulta o sono, podendo torná-lo mais leve e irregular. Médicos recomendam que atividades físicas sejam realizadas regularmente durante o dia ou pela manhã, isso colabora para que haja uma boa noite de sono. Atividades vigorosas realizadas a noite podem provocar o efeito oposto.

Situações traumáticas como a perda de alguém querido, assaltos, violência e até mesmo situações de bullying intenso podem iniciar um rotina de insônia. É comum que os sentimentos e pensamentos desagradáveis se intensifiquem durante a noite, pois é o momento onde a pessoa está mais solitária e sem a necessidade de se focar em outras tarefas.

Como é o tratamento psicológico para insônia?

Muitas pessoas optam pelo tratamento medicamentoso para tratar a insônia crônica, pois acreditam que deste modo o problema será resolvido mais rápido. No entanto, a utilização de medicamentos a logo prazo pode gerar efeitos colaterais, principalmente, a dependência. Estudos comprovam que a Terapia Cognitiva Comportamental é um solução eficaz para esse problema.

Um estudo publicado no British Journal of General Practice, indica que 4 a 8 sessões de psicoterapia são suficientes para reduzir até 30 minutos do tempo que uma pessoa com insônia crônica leva para dormir e a quantidade de vezes que acorda durante a noite.

“A TCC adaptada para insônia tem sido uma opção de tratamento de primeira linha há algum tempo e muitos pacientes a consideram benéfica.” Helen Stokes-Lampard

Essa psicoterapia identifica padrões comportamentais que prejudicam o sono, além de trabalhar profundamente as causas emocionais que perpetuam a insônia. O paciente também pode optar pela psicoterapia breve ou focal, pela qual o psicoterapeuta desenvolve um tratamento com tempo limitado focado completamente neste problema.