Compulsão alimentar: origem e prejuízos.

A compulsão não é uma ação voluntária, nem é realizada por prazer. Ela é uma atitude necessária para quem não consegue sentir alívio de outras formas. Alívio de quê? Do estresse, dos medos, da ansiedade, da tristeza, do  vazio que nada preenche. Esse alívio que a compulsão oferece é uma fuga que não resolve o problema, não ajuda a pessoa a pensar sobre ele e tomar decisões racionais e definitivas. Então, ela não gera a consequência desejada e é prejudicial à saúde física, mental, social e espiritual.

A origem

As pessoas que fazem isso sabem que não é bom, até sentem vergonha e culpa, mas não conseguem se controlar. A comida se torna válvula de escape para todos os sofrimentos, sinônimo de consolo e de alegria. Na maioria dos casos, a compulsão é desenvolvida na infância, por meio dos hábitos familiares, são pessoas que ouviram frases como:

“Não deixa comida no prato!” – quando já estavam satisfeitos.

“Coma bastante para ficar forte” – confundindo força física com tamanho e também com força

Imagem relacionadaemocional.

“Esta triste?

 Coma isto para se animar” – sempre que havia um problema


“Vamos come(r)morar!”
.

Come rápido, estamos atrasados!” – fazendo a criança engolir tudo, sem nem mesmo sentir o sabor.

 

Pulsão de morte

Resultado de imagem para GULAO psicanalista Freud, afirma que o ser humano é perpassado por dois instintos básicos: a pulsão de vida e a pulsão de morte. A pulsão de vida gera um tendência de preservação da vida, é o que nos faz, por exemplo, pegar com cuidado um bebê ou se afastar-nos de alguém que já nos prejudicou. A pulsão de morte tende a destruição da vida, ela pode ser percebida quando uma pessoa que se sente culpada se pune pelo próprio erro, ela representa a autodestruição.

A pessoa que sofre com compulsão alimentar, sente-se culpada e envergonhada pelo ato de comer descontroladamente. por isso pode punir-se (inconscientemente ou não) por fazer isso, comendo exatamente aquilo que a fará engordar e prejudicar a sua saúde. Se autodestrói. Sofre a sua compulsão sendo mais compulsiva, sente-se mal por estar gorda tornando-se mais gorda.

 

Gula

Resultado de imagem para compulsão ALIMENTARGula é uma palavra de origem grega – gastrimargiá –, que significa “loucura do estômago“, pois se trata do desejo descontrolado de comer. A teologia entende que sentir prazer ao alimentar-se é algo justo, agradável e natural, o “pecado” acontece quando esse prazer se torna a principal ou a única fonte de bem-estar de alguém que endeusa a comida, fazendo dela seu vício. Ou seja, a gula acontece quando uma pessoa não consegue controlar o seu desejo pela comida e se torna escrava disso, sem conseguir diferenciar a fome de vontade de comer.

O filósofo e teólogo Tomás de Aquino, quem sistematizou os 7 pecados capitais, entende que a gula é uma vontade de comer que vai contra a razão, então mesmo a pessoa sabendo que está fazendo algo errado, não consegue ter domínio próprio. Entende-se, assim, que não há pecado no prazer, mas no excesso.

 

Prejuízos

Imagem relacionadaBiologicamente, comer excessivamente provoca diversos problemas de saúde que afetam diretamente a vida cotidiana, como alta pressão arterial, impotência sexual, diabetes e dores musculares e nas articulações. Além de problemas pontuais como esterilidade e tumores de intestino. Psiquicamente, comer demasiadamente se torna um vício, gera culpa e vergonha. Pessoas que se sentem assim podem se afastar de amigos e familiares, isolando-se socialmente e também se prejudicando no trabalho perdendo o foco e esquecendo-se de informações necessárias.

A perda de controle, produz uma sensação de impotência e insegurança em relação ao futuro, pois o compulsivo crê que não pode confiar em si mesmo. O resultado disso é medo e ansiedade, gerando um sofrimento crônico. O comer deixa de ser um prazer e se torna apenas um alívio. Não obtendo mais prazer com esta ação, vem a tona o vazio existencial, aquilo que denuncia a falta de sentido e de satisfação cotidiana.  A auto-imagem de uma pessoa obesa também fica prejudicada, pois ela não consegue perceber o quanto seu peso a afeta visualmente, semelhante a uma pessoa que sofre com anorexia ou com vigorexia.

Author:
Teóloga e estudante de psicologia. Com experiência em dependência química, transtornos alimentares e relacionamentos conjugais e familiares.

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